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Luz, telefone, crédito e futebol. As demandas de Thaumaturgo

O atacante levou cartão vermelho. Foi para casa e voltou armado. Um incidente não ocorreu, mas o Exército, dono do campo, proibiu os jogos do campeonato da Liga de Futebol de Marechal Thaumaturgo. O certame está suspenso há três meses, pois o único campo da cidade fica nas terras planas do outro lado do rio, de propriedade do Destacamento Especial de Fronteira do 61º Batalhão de Infantaria de Selva. Do lado de cá, as moradias estão edificadas sobre um conjunto de morros.


Os atletas da cidade já esgotaram seus argumentos para convencer o comandante do Destacamento a flexibilizar a ordem. Só lhes resta o poder persuasivo dos deputados da Aleac. Na quarta-feira, 11, eles aproveitaram o programa Assembleia Aberta em Marechal Thaumaturgo para apelar aos deputados.


O presidente da Mesa Diretora, Edvaldo Magalhães, classificou o apelo como exemplo de uma demanda de resolução em curtíssimo prazo. “Neste caso, não adianta intervir junto ao sargento. É preciso solicitar uma audiência com o superior”, informou Edvaldo.


Para o presidente, a dificuldade dos craques para falar com o superior do destacamento é exemplo da discrepância do relacionamento entre pessoas de um mesmo Estado com o poder público. “Enquanto o morador do Quinari gasta meia hora para alcançar um gabinete de alguma secretaria ou do governador, aqui nas comunidades isoladas as pessoas têm que mandar um recado que pode não chegar ou ser entregue de forma distorcida”, argumenta Edvaldo.


Neste caso, explica o presidente, é que o programa Assembleia Aberta fica evidente como um grande interlocutor entre as populações e o Estado, pois a proximidade com o cidadão convence o deputado a abraçar a sua bandeira e torná-la uma plataforma do Poder Legislativo.


Além do campo

Se o problema do futebol em Thaumaturgo é de solução imediata, outros vão consumir muitas tratativas entre a Aleac e os órgãos do Poder Executivo. Em três reuniões temáticas realizadas ontem no Centro de Florestania do Município, lideranças comunitárias, sindicatos e associações de agricultores reclamaram, principalmente, da baixa cobertura do programa Luz para Todos, da precariedade do sistema de telefonia rural e do parque gerador de eletricidade.


Além disso, a zona urbana do município está toda edificada em 60 hectares de terras do Estado. O resto das terras é composto por assentamentos do Incra, reservas indígenas, reservas extrativistas e o Parque Nacional da Serra do Divisor. “Aqui na cidade ninguém é proprietário, somos todos posseiros”, explica o prefeito Randinho.

Sem escritura, os comerciantes e pequenos empresários não têm acesso a financiamentos dos bancos oficiais e sofrem outras limitações. Depois de resgatar um velho mapa da zona urbana, atualizá-lo e contratar um serviço de georreferenciamento, conforme exige a burocracia, Randinho espera apenas uma assinatura do governador Binho Marques para regularizar os lotes e suas edificações.


A questão do programa Luz para Todos é considerada pelos moradores como uma falta de respeito a um acordo pela empresa responsável pela eletrificação. O mapeamento da área já está realizado, mas a energia não chega à comunidade do Castelo. Os postes pararam em Nova Vida, no rio Tejo e deixaram sem luz cerca de 200 famílias do Castelo e outros vizinhos.


“Nós nos oferecemos para colocar os postes, mas nem assim eles cumprem o acordo”, informa José Domingos, um dos moradores que viajaram um dia de barco para chegar ao programa Assembleia Aberta.

Orçamento do Estado

O presidente Edvaldo Magalhães adiantou que todas as demandas levantadas em Marechal Thaumaturgo vão ser levadas em relatório para a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável (Seplands). “No ano passado a Seplands realizou um diagnóstico de todas as Assembléias Abertas que realizamos e todas foram contempladas no Orçamento do Estado que nós aprovamos na Aleac e neste ano não será diferente”, lembrou.


Texto: João Maurício e Mircléia Matos
Agência Aleac

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